quarta-feira, 29 de junho de 2011

Tecnologias invisí­veis


Este livre comentário é sobre o capí­tulo oito do livro de Neil Postman - Tecnopólio - que foi umas das minhas mais interessantes leituras.


Segundo Postman, o idioma é pura ideologia pois é um conjunto de suposições que temos consciência e que dirigem nossos esforços para dar forma e consistência ao mundo, dividindo-o em sujeitos e objetos, indicando como os eventos devem ser vistos e nos instruindo quanto ao tempo, espaço, números. O interessante dessa forma de ver o idioma é sua abrangência, pois suas variações funcionam sob os mesmos princípios e levam a pensar que todos vêem o mundo da mesma maneira independente de qual lí­ngua se fale. Por isso acredita-se que é coisa que vem de dentro do homem e que é expressão direta de como é o mundo. O que acontece com as máquinas, televisão e computador por exemplo, é que parecem extensões de nossos poderes, por estarem "fora", terem sido criadas por nós podendo até serem descartadas. O idioma nos é natural e o certo é que não nos preocupamos de que forma ele age, sendo praticamente invisível para nós. Então tecnologias invisíveis existem, complexas ou não, mas controlando algo ou servindo uma ou outra ideologia.

Outra tecnologia invisível, conforme identificou Postman, é o uso do algarismo zero e seu conceito de nulidade e vazio. O zero não foi usado pelos romanos nem pelos gregos, vieram da Índia no século X, mas sem eles seria muito difícil realizar qualquer dos cálculos. Pode ser considerado uma tecnologia por possibilitar e tornar fáceis certos tipos de pensamentos e se não acreditarmos que seja uma ideologia, certamente é uma idéia. É possí­vel então entender como sí­mbolos podem ser considerados máquinas para possibilitar novas disposições mentais. 
O uso do zero levou ao desenvolvimento de tecnologias complexas como a estatística e o processo binário dos computadores. A estatí­stica é em si, outra poderosa tecnologia invisível. Tornando visíveis e manipuláveis padrões até então ocultos. Novas visões de mundo em função de probabilidades e incertezas foram criadas. Todas as áreas de atuação do homem são hábeis para a atuação da estatística. Porém, seu uso indiscriminado é digno de cautela e a tentativa de transformar tudo e qualquer manifestação humana ou da natureza em estatí­stica é questionável. 
Os teste de QI nos mostram um dos perigos de se abusar da estatí­stica. A quantificação da inteligência baseada em dados e comparações estatí­sticas mostram alguns aspectos discutí­veis, como por exemplo a necessidade da concretização de conceitos abstratos como a inteligência, transformando-a em uma coisa, seguido de uma inevitável classificação onde a necessidade de uma simplificaão transforma agora a inteligência em uma coisa única localizada no cérebro. 
O reducionismo é perigoso, mas isto serve bem a essa nova era de tecnopólio e mesmo que correntes científicas se posicionem contra e questionem, o tecnopólio resiste a essas censuras por não ter um sistema de ética. Ele busca então, novamente na objetividade estatí­stica, o seu conforto.
A pesquisa de opinião, embasadas em estatística é outra tecnologia invisível. Impossível pensar em um mundo capitalista onde a pesquisa de opiniã não existisse. O mercado, a indústria, a igreja, o Estado precisam dela. O único problema continua sendo o reducionismo. Nem tudo pode ser respondido como sim ou não. A maneira como a pergunta é formulada torna ambí­gua a resposta. É necessário acreditar que a opinião está pronta dentro da pessoa bastando uma pergunta certa para extraí­-la. Se a pessoa tem conhecimento ou não sobre o assunto que é objeto da pesquisa é irrelevante. Logo os resultados são questionáveis mas certamente serão utilizados para orientar alguma tendência, independente se desviam responsabilidades, reforçam conceitos errados ou não. É a opinião pública!
Algumas tecnologias existem e ficam em "repouso". 
Elas servem à outras tecnologias e as vezes nem parecem ser tecnologias, mas servem para orientar uma aceitação e mudar as formas de como vemos o mundo. Os cursos acadêmicos fazem isto pois são uma tecnologia de aprendizado. No mundo dos negócios a tecnologia da administração faz uso máximo de conhecimento relevante, da organização hierárquica das capacidades humanas e do fluxo de informações. 
As tecnologias cumprem seu papel de maneira coerente e por se tratarem de tecnologia não são más ou boas. O uso que damos a elas é que precisam constantemente de observação, análise e contextualização. Essa nova era de tecnopólio faz uso do que mais lhe serve e esta sua caracterí­stica justifica a necessidade de controle pelo homem, das aplicações de todas estas tecnologias.


POSTMAN, Neil - TECNOPÓLIO: A rendição da cultura à tecnologia, tradução de Reinaldo Guarany - São Paulo: Nobel, 1994.

domingo, 8 de novembro de 2009

Pesquisas otimizadas

Survey

É uma metodologia de pesquisa que permite a obtenção de dados ou informações sobre características, ações e opiniões de um determinado grupo de pessoas, sem respostas prontas, contudo com dados orientados que expressam a realidade do objeto estudado, formulando perguntas a fim de receber informação sobre atitudes, motivos e opiniões.
Como principais características do método de pesquisa survey podemos citar o a produção de descrições quantitativas de uma população fazendo o uso de um instrumento predefinido. Survey é apropriada como método de pesquisa quando:

- se deseja responder questões do tipo “o quê?”, “por que?”, “como?” e “quanto?”, ou seja, quando o foco de interesse é sobre “o que está acontecendo” ou “como e por que isso está acontecendo”;
- não se tem interesse ou não é possível controlar as variáveis dependentes e independentes;
- o ambiente natural é a melhor situação para estudar o fenômeno de interesse;
- o objeto de interesse ocorre no presente ou no passado recente.

Pinsonneault & Kraemer (1993) classificam a pesquisa survey quanto ao seu próposito em:
Explanatória:
Tem como objetivo testar uma teoria e as relações causais; estabelece a existência de relações causais, mas também questiona por que a relação existe;
Exploratória:
O objetivo é familiarizar-se com o tópico ou identificar os conceitos iniciais sobre um tópico, dar ênfase na determinação de quais conceitos devem ser medidos e como devem ser medidos, buscar descobrir novas possibilidades e dimensões da população de interesse;
Descritiva:
Busca identificar quais situações, eventos, atitudes ou opiniões estão manifestos em uma população; descreve a distribuição de algum fenômeno na população ou entre os subgrupos da população ou, ainda, faz uma comparação entre essas distribuições. Neste tipo de survey a hipótese não é causal, mas tem o propósito de verificar se a percepção dos fatos está ou não de acordo com a realidade.

A unidade de análise pode ser um indivíduo, nesse caso coincidindo com o respondente, mas também um grupo, um setor da organização ou a própria organização, entre outras. Quanto aos processos de amostragem divide-se em amostra probabilística onde o fato de todos os elementos da população terem a mesma chance de ser escolhidos, resulta-se em uma amostra representativa da população e a amostra não probabilística que é obtida a partir de algum tipo de critério, e nem todos os elementos da população têm a mesma chance de ser selecionados, o que torna os resultados não generalizáveis.

Uma boa leitura sobre survey pode ser encontrada em "O método de pesquisa survey" (Revista de Administração da USP) de Freitas, Oliveira, Saccol e Moscarola (2000)

Alguns sites oferecem ferramentas de survey (algumas pagas, outras gratuitas), mas gosto mesmo é de utilizar os Formulários compartilháveis dos Spreedsheets do Google Docs. Abaixo alguns links.
- http://www.zoomerang.com/
- http://www.spectorcne.com/
- http://www.surveymonkey.com/
- http://www.questionpro.com/
- http://www.surveysystem.com/

Não deixe de ver Surveymonkey
Texto de Leolivera com ajuda da Wikipedia e da Polipesquisas Metsurvey.

E estas novas nuvens nos céus da web? Do que se tratam?

Word Cloud - Tag Cloud
Nuvens de palavras ou tags são formas de apresentar os itens de conteúdo de um texto ou website de forma gráfica hierarquizada visualmente. O grau de relevância das palavras ou tags são representadas proporcionalmente pelo tamanho da fonte. Maior incidência, fonte maior.
Dessa forma, em uma mesma interface é possível localizar uma determinada palavra/tag pela frequência da incidência de conteúdos marcados com a mesma palavra/tag no referido site.
As palavras/tags disponibilizadas na nuvem podem ser links que levam a coleções de itens relacionados às palavras da tag.


Tags
Tags são rótulos, legendas representando uma categoria simples.
Seu uso foi difundido por sites de "Social Bokmarking" como o Technorati, del.icio.us e Flickr
É ferramenta importante dentro do conceito de Web2.0 (ver post abaixo) ao permitir a categorização totalmente livre e pessoal de classificação, contudo podendo relacionar com outras tags geradas formando um rede de definições semânticas compartilhada.
O aproveitamento inteligente das novas possibilidades de classificação em interfaces inovadoras significou uma forma gráfica interessante de representar conceitos, uma melhor sinalização para navegação no mar de conteúdo da rede e principalmente um reforço de "information design" de extrema importância.

 

A wordcloud deste blog gerada no dia da postagem

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Novas tecnologias: Parte 01

WEB, WEB 2.0 e WEB 3.0

A WEB ou World Wide Web (Rede de alcance mundial) é um sistema de documentos em hipermídia que são interligados e executados na Internet. Os documentos podem estar na forma de vídeos, sons, hipertextos e figuras. Para visualizar a informação, pode-se usar um programa de computador chamado navegador (ou browser - mozzila, chrome, internet explorer, etc) para descarregar informações (documentos ou páginas) de servidores web (sites ou sítios) e mostrá-los na tela do usuário. O usuário pode seguir as hiperligações na página para outros documentos ou mesmo enviar informações de volta (ato de "navegar" na Web)
Podemos considerar que as palavras-chaves que definiriam a primeira fase da web seriam:
- precisão,
- audiência de massa,
- proteger,
- edição profissional,
- discurso corporativo
- publicação
- produto

A WEB 2.0 é um termo criado em 2004 para designar uma segunda geração de comunidades e serviços, tendo como conceito a "Web como plataforma", envolvendo wikis, aplicações baseadas em folksonomia, redes sociais e Tecnologia da Informação. Embora o termo tenha uma conotação de uma nova versão para a Web, ele não se refere à atualização nas suas especificações técnicas, mas a uma mudança na forma como ela é encarada por usuários e desenvolvedores, ou seja, uma mudança de comportamento.
Comparando com a WEB temos:
- disponibilidade rápida
- compartilhar
- edição do usuário
- opinião franca
- participação
- comunidade

A emergente WEB 3.0 ou Web semântica é uma extensão da Web actual, que permitirá aos computadores e humanos trabalharem em cooperação interligando significados de palavras e, neste âmbito, tem como finalidade conseguir atribuir um significado (sentido) aos conteúdos publicados na Internet de modo que seja perceptível tanto pelo humano como pelo computador. O objectivo principal não é, pelo menos para já, treinar as máquinas para que se comportem como pessoas, mas sim desenvolver tecnologias e linguagens que tornem a informação legível para as máquinas.

Texto Leolivera com ajuda da wikipedia

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Ficção e realidade - Parte 02

Michael Bruce Sterling (1954)

Sterling é um escritor de ficção científica, mais conhecido por seus romances e sua obra seminal na antologia Mirrorshades, a qual definiu o gênero cyberpunk. Leciona cursos sobre media e design e é considerado o "visionário residente" do Art Center College of Design na Califórnia.
Em seu livro Pirata de Dados (1985) o cenário é o futuro próximo. O acesso à informação é a moeda mais valorizada e potentes drogas são comuns no cotidiano. O grande desafio é o Terceiro Mundo, que está de posse de versões pirateadas da tecnologia de ponta dos países desenvolvidos e disposto a não jogar pelas regras das grandes corporações, que detêm o poder no mundo por meio do controle informático e econômico.
A tecnologia é explorada com muita emoção na história, onde são descritos pontos básicos da doutrina cyberpunk, como grandes corporações multinacionais exercendo o controle da Terra e a informática dominando tudo.
O conceito cyberpunk associa-se a uma realidade computadorizada em que pessoas e informações se misturam. O livro também apresenta um trabalho sério sobre o impacto social do advento das inteligências artificiais e dos experimentos tecnológicos aplicados não somente ao dia-a-dia dos seres humanos como também dentro deles, em seus cérebros ou nas reentrâncias de sua pele; são a invasão da mente com computadores cerebrais interfaciais, inteligência artificial e neuroquímica; e a invasão do corpo, com membros protéticos, circuitos implantados, cirurgia cosmética e alteração genética e onde redes de computadores e o cérebro das pessoas estarão interligados, conectados diretamente ao computador.
Daqui a poucos anos, teremos a impressão de um déjà vu, de que já vimos isto antes.
Uma boa leitura para jovens alunos tecnófilos.

Tecnologia e Pensamento - Parte 01

Quem pensa a tecnologia e seus desdobramentos na vida do homem?
Pretendo um breve resumo sobre quem e o que pensam as cabeças voltadas a entender a tecnologia e oque ela faz com nossas vidas.
Escolho (bem pessoal a escolha) dois nomes referenciais, diametralmente opostos em pensamento, mas que mapeam todo o terreno a ser entendido e percorrido.
Para Pierre Levy, o que interessa é como as culturas armazenam, transmitem e se relacionam com o conhecimento e o histórico do saber. A técnica ocupa posição central. Todas as categorias usuais da filosofia do conhecimento, como a ciência, a teoria ou a objetividade são atribuídas de técnica e dependem de um contexto histórico e forma de transmissão. Armazenamento e transmissão estão intimamente ligados a uma forma relacional de comunicação associada ao contexto histórico-cultural de uma sociedade.
O pensamento de Neil Postman sobre o impacto da tecnologia passa pela análise abrangente das inúmeras formas de sua materialização. Ele estabelece sua cronologia da evolução tecnológica baseada nas ferramentas e suas relações com o homem em uma cultura.
Outras linhas principiam em pensar no homem como autor e espectador das mudanças, preocupando-se com que forma sua cultura se molda ou enfrenta as novas mudanças. As relações da informação e do poder, as mudanças comportamentais provocadas pela virtualização e as implicações éticas são abordadas pela linha defendida por Lucas Introna e Fernando Ilharco.
Já Luciano Floridi, estuda questões como informação semântica, veracidade, subjetividade e moralidade distribuída. Rafael Capurro traça estudo desde o surgimento das ciências da informação a até a atual sociedade da informação.
Dertouzos defende a necessidade de uma tecnologia focada no homem, enquanto Nicholas Negroponte afirma que os meios digitais facilitam e dominarão essa era.
Virilio defende que a era da informática é algo um tanto perigoso, levando-nos à perda da noção da realidade. Jean Baudrillard concorda com ele e alerta que a sociedade está cada vez mais dependente das máquinas.
Entretanto, Guattari afirma que não tem sentido desviarmo-nos das máquinas, pois não são nada mais que formas hiperdesenvolvidas e hiperconcentradas de aspectos de sua própria subjetividade.
Bem, escolha por onde começar e boa viagem!!!! Só não deixe de viajar!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Infográficos maneros 02

Alunos versus professores:


Eu conheço isso!
Fonte: capinaremos.com

Ficção e realidade - Parte 01

Isac Asimov (1920 - 1992)


 Asimov foi um dos maioes escritores de ficção científica que já passaram pelo mundo. Russo, naturalizado americano (do norte), escreveu ou editou mais de 500 volumes e têm obras em cada uma das categorias mais importantes do Sistema de Bibliografia de Dewey, exceto em filosofia.

Em 1979, no livro Escolha a Catástrofe, Asimov dissertou sobre os futuros problemas que poderiam levar a humanidade à extinção e como a tecnologia poderia salvá-la. Em certa parte do livro, ele fala sobre a educação e como ela poderia funcionar no futuro:


"Haverá uma tendência para centralizar informações, de modo que uma requisição de determinados itens pode usufruir dos recursos de todas as bibliotecas de uma região, ou de uma nação e, quem sabe, do mundo. Finalmente, haverá o equivalente de uma Biblioteca Computada Global, na qual todo o conhecimento da humanidade será armazenado e de onde qualquer item desse total poderá ser retirado por requisição."

"...Certamente, cada vez mais pessoas seguiriam esse caminho fácil e natural de satisfazer suas curiosidades e necessidades de saber. E cada pessoa, à medida que fosse educada segundo seus próprios interesses, poderia então começar a fazer suas contribuições. Aquele que tivesse um novo pensamento ou observação de qualquer tipo sobre qualquer campo, poderia apresentá-lo, e se ele ainda não constasse na biblioteca, seria mantido à espera de confirmação e, possivelmente, acabaria sendo incorporado. Cada pessoa seria, simultaneamente, um professor e um aprendiz."


The dreams come true!!
 (Para o Sistema de Dewel ver: http://pt.wikipedia.org/wiki/classificação_decimal_dewey)
 

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Arte, Técnica e Tecnologia

"Nos períodos florescentes ao longo da história, a arte e a ciência estiveram sempre juntas, e por vezes ligadas indissoluvelmente, num enriquecimento e embelezamento recíprocos"
(Israel Pedrosa – Escola Belas Artes UNB).

É por meio da Arte que sentimos valores e atitudes que surgem da pessoa ou de uma cultura e que podem ser passadas, aprendidas, sensibilizadas, e às vezes utilizando um mínimo de materia e um máximo de significação, potencia o homem em sua característica típica de criar símbolos.
A técnica tornou o homem capaz de enfrentar as forças da natureza. Apesar de seus aspectos às vezes desumanizantes, está inserida no espírito humano representando todo o seu lado racional, manifestando seus desejos de precisão, economia, simplicidade e, em especial, o desejo pela ordem.
Por formarem a dualidade do equilibrio e harmonia caminharam juntas, com a história do homem e seus pensamentos muitas vezes dispersos e deconectados, mas fornecendo subsídios de sanidade e contextos de novas procuras.
Se acompanharmos o trajeto traçado pelo homem e suas descobertas e mudanças de pensamento filosóficos, enxergaremos a arte sempre cumprindo seu papel. Hora se aproximando do lado sólido e servindo à vida, trabalho e guerra, hora etérea, dadas aos pensamentos e tentativas de libertação. Hora a serviço das instituições, hora a serviço da emoção.
Mas sempre esteve lá, acompanhando o homem. E sempre oscilando para perto ou não da técnica. Técnica esta, que sutilmente ao oferecer a possibilidade material das cores brilhantes, propicia ao artista revolucionar a expressão, curvar a tradição, exorcizar a imitação.
Bastou aos impressionistas, ao escolherem, simplesmente, representar o brilho em uma manhã de domingo (ver Impression, soleil levant – Claude Monet) , abrirem todo um caminho de aproximação com a ciência e com a técnica libertando o pensamento da expressão do homem, da sociedade, da natureza.
O Século XX foi pouco para se chegar a um lugar de definição da relação do homem e da arte.

O que hoje presenciamos, com a atual tecnologia é uma consciente demonstração do retorno e da reaproximação da arte e da técnica com pensaram os primeiros filósofos.
Ao homem é permitida toda sorte de experimentação nas Artes.



Esta proto-cronologia abaixo resume o caminho da ida e do retorno da aproximação arte-técnica-tecnologia:

- Platão não distinguia a arte das ciências nem da filosofia. Era forma de conhecimento., Definia dois tipos de arte ou técnica:  as Judicativas,  dedicadas ao conhecimento e as Dispositivas ou imperativas, dedicadas às atividades.
Aristóteles toma a arte como atividade da prática e estabelece as distinções de ciência e filosofia (necessário) e arte ou técnica (possível), evidenciando ação (práxis) e fabricação (poiesis).
Plotino distingue as artes da Natureza (medicina, agricultura) daquelas pela Natureza (artesanato).

- Varrão (Sec.II) modifica a classificação sob a ótica de uma estrutura social fundamentada na escravidão, tomando então artes liberais - dignas do homem livre (gramática, retórica, astronomia, lógica, aritmética, música) e artes mecânicas - própria do trabalhador manual/servil (medicina, arquitetura, agricultura, pintura, escultura, olaria etc).

- Tomaz Aquino (Idade Média) justifica uma classificação.das Artes orientadas à razão e as orientadas pelas mãos. A alma é livre e o corpo é sua prisão, o que coloca as artes liberais como superiores às mecânicas.

- O Renascimento se traduz na batalha e na conversão das artes mecânicas à condição de liberais. Humanismo dignifica o corpo humano e seus produtos (trabalho, pensamento) devem ser valorizados

- A virada do XVII traz a ruptura. Distinguiram-se as finalidades das artes mecânicas (úteis aos homens) das artes do Belo. Surge a arte como ação individual sensível do artista como gênio criador. Vem a estética
- A próxima virada muda o cenário para a arte como expressão criadora, sem a pretensão de copiar a realidade mas, de exprimir por meios artísticos, a realidade.

- O século XXI mostra, pela utilização massiva de aparatos e técnicas digitais. A facilidade de utilização e distribuição das ferramentas amplia a capacidade da expressão da realidade pelos meios artísticos. Todas as manifestação convergem para um mesmo tecido eletrônico, amplo e interligado. A técnica retorna e novamente abraça a arte.

Texto: Leolivera
Cronologia adaptada de www.eba.ufmg.br/textos/apl001/aula006web.html

terça-feira, 8 de setembro de 2009