A palavra território refere-se a uma área delimitada sob a posse
de alguém, alguma instituição ou coletividade. A relação com uma porção
geográfica é a nossa mais natural associação, mas também nos é natural a noção
da delimitação e defesa de um espaço qualquer. Os nossos territórios, em todos
os sentidos imagináveis são por nós sempre defendidos.

Os últimos 25 anos nos trouxeram novos conceitos, abstrações e
relações quanto a forma de
perceber nossos territórios. Uma proposta de
unificação em escala global de um destes territórios vem mudando completamente
nossas formas de relacionamentos, socialização e até mesmo da apropriação.
E
apropriação aí representada não só pelo ato ou efeito da posse, mas
principalmente pela adaptação e acomodação neste novo território. Nos sentimos bem,
ou pelo menos a geração atual se sente bem. Quando percebemos já adentramos.
Quando percebemos já nos sentimos em casa. Quando percebemos estamos realmente
nos apropriando de um novo território, antes nem pensado, mas agora
reconhecidamente infinito, hábil, fértil e ansioso por nós.
Talvez porque como
citado, um território realmente precise que alguém o reconheça, que descubra
nele suas potencialidades, antes e primordialmente de sobrevivência e depois de
troca, prazer, descanso, etc. Talvez porque ele anseie por ser defendido ou
explorado. Talvez porque anseie por ser compartilhado.
Os últimos 25 anos também nos trouxeram novos conceitos,
abstrações e relações quanto a forma de se compartilhar. A informação, a
cultura e o conhecimento e todas as formas ou ciências que se encarregam de representá-las
como a arte, a astronomia, a poesia ou a física, etc. vêem repensando como
ampliar ou flexibilizar seus territórios de ação e domínio para conseguir lidar
com estas mudanças.
E isto também vem impactando de forma definitiva em como
lidamos quando adentramos tais territórios e principalmente os relacionamos com
os nossos. Mas estas mudanças nos são facilitadas e interfaceadas por inúmeras
ferramentas e dispositivos.
Numa primeira fase, a busca pelo entendimento do porque utilizar
estes novos dispositivos e ferramentas auxiliares nos propiciou e
disponibilizou uma massa infinita de informação que foi capturada em nossos
reais territórios - os geográficos, profissionais, culturais, sociais,
emocionais, intelectuais, etc. - e virtualizados neste novo.
Nossa expressão
artística, nosso pensar, nosso fazer, estavam agora disponíveis ao mundo. A
regra valia para todos aqueles que utilizaram as ferramentas. E muitos outros
gostaram e também aderiram.
Fechamos esta primeira fase, maravilhados com as
possibilidades de "andar", ver e conhecer outros territórios. Dominamos a ferramenta.
Mas e as pessoas? As outras pessoas.
Não só aquelas do meu
território, mas de todo os outros.
Uma nova fase se iniciou e os novos
dispositivos e ferramentas nos propiciaram encontrar velhos e novos amigos.
Transferimos nossa sala de visita ou mesa de bar para todos os lugares.
Começamos a nos preocupar em mostrar nossos territórios, em descobrir novas
formas de representá-lo. Aprendemos a representá-los e reconhecê-los de várias
novas formas e formatos. Disponibilizamos mais informações.
Esta fase ainda persiste
e nela nos relacionamos e ampliamos nossos territórios cada vez mais. Temos
então disponíveis, informação e representação dos territórios, dos seus
ocupantes e seus jeitos de viver e se relacionarem.
Mas na realidade, não conheço bem outros territórios senão o
meu.
Só sou dono real do conhecimento do meu território.
Mas tenho como
compartilhá-lo. Posso acrescentar informações que eu sei, posso acrescentar
informações sobre o penso e sinto sobre meu território enriquecendo a
informação sobre ele já disponível. Se outros fizerem a mesma coisa
transformaremos a imensidão de informação disponível pela valoração e pelo sensorial.
Transformaremos informação em conhecimento.
Reescrever
este texto sob a ótica da tecnologia da informação corresponderia a descrever a
evolução comportamental da web desde sua utilização massiva.
Da web original
(WEB1.0), herdamos a digitalização e aprendemos algumas lições.
Mas para nós
usuários era como uma biblioteca. Poderíamos utiliza-la como fonte de
informação, mas não poderíamos contribuir ou alterar instantaneamente seu
conteúdo.
Mas as ferramentas da WEB2.0 como os blogs, a classificação por
taxonomia popular, as redes de relacionamentos sociais transformaram esta
biblioteca numa grande sala de visita donde um grande grupo de amigos e
conhecidos poderiam não só receber informação mas também poderiam contribuir com
o conteúdo tornando a informação uma experiência mais rica.
E esse
enriquecimento semântico da informação pela valoração, experiência e
relacionamentos indica o caminho futuro para a web.
A WEB3.0 poderá saber tudo
sobre mim, sobre meu território. Será como um assistente meu que me conectaria
com as informações mais relevantes para mim e meu grupo.